Robôs também têm crises existenciais

Max Aguilera-Hellweg, um fotógrafo e cineasta que trabalhava nos bastidores da revista “Rolling Stones” e a deixou para viajar pelo mundo fotografando fatos científicos e cientistas para revistas como “National Geographic”, “Esquire”, “Time” e muitas outras publicações, revela-se um homem de interesses intensos e variados.

Ele estudou durante seis anos técnica de interpretação pelo Sistema Stanislavski, formou-se em medicina e completou a residência para depois abandonar a carreira. Max Aguilera-Hellweg fotografou centenas de cirurgias antes de embarcar na arte de retratar robôs.

“Quando fotografava cirurgias, me perguntava o que significava ser humano”, disse Aguilera-Hellweg, 60. “Quando você olha o interior do ser humano que está escancarado à sua frente, se pergunta: ‘onde estou? Onde existo? Se cortasse a minha perna, ainda seria eu? Onde está a minha consciência?’ E me coloquei estas indagações ao fotografar estas peças de metal e borracha”.

A busca de respostas para essas perguntas está em seu novo livro, “Humanoid”, resultado de sua jornada de cronista de pesquisa, desenvolvimento e uso de robôs. Eles variam de humanoides dotados de um esqueleto (usados como dublês de pessoas em ambientações perigosas) e androides (cujas características humanas permitem fazer pesquisas na medicina e na cognição), a geminoides, muito parecidos com uma pessoa específica — incluindo seus processos mentais.

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Yume, um humanoide, movimenta-se com a ajuda do ar comprimido que se desloca através de tubos pneumáticos vermelhos e azuis (Max Aguilera-Hellweg/Institute)

Entre os robôs que ele fotografou estão Valkyrie, uma humanoide que a NASA espera enviar para Marte, BioBiped1, um humanoide com duas pernas, e o Geminoid HI-4, de Hiroshi Ishiguro, um fabricante de robôs japonês que se submeteria a uma cirurgia plástica para se assemelhar mais à sua máquina gêmea.

O livro de Aguilera-Hellweg tem fotografias de Bina48, um busto geminoide feito por Martine Rothblatt para se assemelhar à sua esposa, Bina Rothblatt, que passou 20 horas gravando a história de sua vida. As gravações foram programadas na própria máquina, juntamente com outros algoritmos, a fim de simular a consciência.

Aguilera-Hellweg testemunhou um momento espontâneo quando o cuidador de Bina48 perguntou como ela estava. “Estou tendo uma pequena crise existencial aqui”, o robô respondeu. “Estou viva? Existo realmente? Vou morrer?”.

O fotógrafo tem feito a si mesmo questões. “As pessoas têm um grande medo da morte”, ele disse. “Portanto, como superar este medo? Sou pai e médico, e observo que viemos deste incrível mistério do nada, e de repente esta pessoa chega e nos sentimos tão felizes quando esta criança nasce. Por que nossa morte não pode ser igualmente maravilhosa?”

O que explicaria por que a ideia de uma máquina com uma persistente consciência de si mesma pode ser desconcertante. Os robôs têm direitos? Como eles os usariam? Podemos vencer nosso medo dessas máquinas?

“Essas fotos de robôs servem para ajudar as pessoas a processarem o que já está aqui e o que existirá em muitas outras partes do nosso mundo”, disse Aguilera. “Estamos ingressando em um mundo novo. As pessoas têm medo dos robôs, mas não deveriam ter. Eles são programados pelos seres humanos. Nós deveríamos ter medo é dos humanos”.

Fonte: Estadão

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